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sábado, 19 de março de 2011

As Florestas e o Ser Humano

As Nações Unidas encomendou a Yann Arthus-Bertrand (mesmo criador do expetacular filme-documentãrio HOME) para produzir o filme oficial de lançamento do 2011 - Ano Internacional das Florestas. Após o sucesso de seu filme inicial, visto por 400 milhões de pessoas, o fotógrafo criou um curto filme de 7 minutos cheias de imagens aéreas de florestas e outras áreas.

Este filme foi exibido durante a sessão plenária da Nona Sessão do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas (24/01 a 04/02/2011) em Nova York. Ele está disponível para distribuição mundial ao público, gratuitamente, e para download desde 02 de fevereiro.

Infelizmente ainda somente dispomos de versão em inglês.


Of Forests and Men from GoodPlanet on Vimeo.

FONTE: http://www.goodplanet.org/forests/the-film.html

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

CARTA DA TERRA

CARTA DA TERRA (1) 

PREÂMBULO
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.

TERRA, NOSSO LAR
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A SITUAÇÃO GLOBAL
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

DESAFIOS FUTUROS
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.
Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.

PRINCÍPIOS
I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
  1. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
  2. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
  1. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
  2. Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder, vem a maior responsabilidade de promover o bem comum.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
  1. Assegurar que as comunidades em todos os níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
  2. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a obtenção de uma condição de vida significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
4. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações.
  1. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
  2. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo prazo.
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais que sustentam a vida.
  1. Adotar, em todos os níveis, planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
  2. stabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
  3. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados.
  4. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas e ao meio ambiente e impedir a introdução desses organismos prejudiciais.
  5. Administrar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas.
  6. Administrar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o esgotamento e não causem dano ambiental grave.
6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
  1. Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou irreversíveis, mesmo quando o conhecimento científico for incompleto ou não-conclusivo.
  2. Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que as partes interessadas sejam responsabilizadas pelo dano ambiental.
  3. Assegurar que as tomadas de decisão considerem as conseqüências cumulativas, a longo prazo, indiretas, de longo alcance e globais das atividades humanas.
  4. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
  5. Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente.
7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
  1. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
  2. Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis, como a energia solar e do vento.
  3. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais seguras.
  4. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais.
  5. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
  6. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.
8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido.
  1. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
  2. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
  3. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, permaneçam disponíveis ao domínio público.
III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
  1. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, alocando os recursos nacionais e internacionais demandados.
  2. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e segurança coletiva aos que não são capazes de se manter por conta própria.
  3. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e alcançarem suas aspirações.
10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.
  1. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
  2. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas internacionais onerosas.
  3. Assegurar que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
  4. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades.
11. Afirmar a igualdade e a eqüidade dos gêneros como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
  1. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
  2. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
  3. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos os membros da família.
12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, com especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
  1. Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
  2. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas com condições de vida sustentáveis.
  3. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
  4. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.
IV. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ
13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover transparência e responsabilização no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça.
  1. Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
  2. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações interessados na tomada de decisões.
  3. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de reunião pacífica, de associação e de oposição.
  4. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais administrativos e independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
  5. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
  6. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.
14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
  1. Prover a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
  2. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
  3. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais.
  4. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma condição de vida sustentável.
15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
  1. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimento.
  2. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
  3. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.
16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.
  1. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
  2. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para administrar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
  3. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível de uma postura defensiva não-provocativa e converter os recursos militares para propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
  4. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
  5. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção ambiental e a paz.
  6. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.
O CAMINHO ADIANTE
Como nunca antes na História, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa destes princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.

Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável nos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global que gerou a Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria.

A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Entretanto, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.

Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida. 

.....................................
(1) A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada, voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação.

O documento é resultado de uma década de diálogo intercultural, em torno de objetivos comuns e valores compartilhados. O projeto começou como uma iniciativa das Nações Unidas, mas se desenvolveu e finalizou como uma iniciativa global da sociedade civil. Em 2000 a Comissão da Carta da Terra, uma entidade internacional independente, concluiu e divulgou o documento como a carta dos povos.

A redação da Carta da Terra envolveu o mais inclusivo e participativo processo associado à criação de uma declaração internacional. Esse processo é a fonte básica de sua legitimidade como um marco de guia ético. A legitimidade do documento foi fortalecida pela adesão de mais de 4.500 organizações, incluindo vários organismos governamentais e organizações internacionais.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

II ENCONTRO NORDESTINO DE EDUCAÇÃO BIOCÊNTRICA E CIDADANIA

TEMA: APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO NA TEIA DA VIDA

11 a 14 de março de 2010
FORTALEZA – CEARÁ

3° CHAMAMENTO

Está se aproximando o dia em que nos encontraremos. Nesse encontro, vivenciaremos os rituais de
vínculo, pois estaremos construindo a Pedagogia do Encontro desde o momento em que as pessoas
chegarem até a sua despedida.

A Universidade Biocêntrica e o Instituto Nordeste Cidadania convidam todos e todas a
participarem da programação, a partir dos temas geradores que nortearão as reflexões e vivências de
cada dia do Encontro:

 Principio Biocêntrico: uma cultura da vida.
 Cidadania: transformação criativa da Sociedade.
 Educação Biocêntrica e Ecologia Profunda.
 A Carta da Vida.

Para contribuir com as reflexões em torno desses temas, contaremos com a presença de convidados
especiais, como Rolando Toro, criador do Sistema Biodança, Manfredo Oliveira, professor de
filosofia da UFC, Lílian Pacheco, educadora biocêntrica e coordenadora da Ação Griô Nacional,
além de educadores biocêntricos cearenses como Cezar Wagner, Ruth Cavalcante, Cássia Regina,
Zulmira Bomfim, Custódio Almeida, dentre outros.

Lembramos que o Encontro acontecerá em dois diferentes locais:
- no Centro de Treinamento do BNB Passaré, nos dias 11 e 12
- e na Casa José de Alencar - UFC (Universidade Federal do Ceará), nos dias 13 e 14.

Queremos cuidar da nossa capacidade de aprender juntos, cultivando a solidariedade e a
cooperação, que irão fortalecer o desenvolvimento de uma educação para a vida e pela vida. Para
ritualizar este momento, nosso mestre Rolando Toro receberá uma homenagem especial, preparada
carinhosamente como forma de gratidão e reconhecimento.

Com o desejo de ver o maior número possível de educadores, estudantes, profissionais, escolas,
gestores, movimentos sociais e entidades nessa grande teia da vida, é que a inscrição no evento
será gratuita, e todos/as serão recebidos/as com o calor humano nordestino. Nesse sentido,
fortalecendo o movimento da hospedagem solidária, estamos abrindo as portas de nossas casas para
acolher os participantes de outras cidades. Assim, os interessados devem entrar em contato com a
secretaria do encontro, através do o endereço eletrônico: universidadebiocentrica@gmail.com

Continuamos recebendo inscrições para apresentação de trabalhos nas modalidades de
Comunicação Oral e Painel. Envie seu trabalho para o endereço eletrônico acima, colocando o seu
nome, endereço, telefone, e-mail, título do trabalho e resumo com até 500 palavras.

Desde já, nos alegramos com a sua presença para juntos celebrarmos a vida e assim continuarmos
tecendo essa teia de vínculos, cuidado e amor na Educação.

Conselho da Universidade Biocêntrica
Direção do INEC

*************
FONTE: Recebido por e-mail

sábado, 5 de dezembro de 2009

MÍDIA PELO MEIO AMBIENTE

Independente de questões políticas, econômicas, privadas ou públicas ou sei lá mais o que;
independentemente de estatísticas, interesses e indústrias;
independente de tudo que eu possa ouvir a favor ou contra...
não mudarei minha opinião sobre o nosso papel, enquanto ser humano, que usa e depende deste planeta para viver;
não mudarei minha opinião, sobre a nossa responsabilidade como interfentes diretos sobre todas as formas de vida com as quais cohabitamos, e sobre o modo como interferimos em todos os tipos de relação que se estabelecem no planeta Terra para seu equilíbrio.

Não me importa se políticos tem interesse nisso ou naquilo;
não me importa se a indústria disso ou daquilo vai sair ganhando mais ou menos;
não me importa se pessoas acham isso ou aquilo.
Importa-me o que acredito.
E acredito que somos os maiores e principais agentes de transformação deste planeta com consequências as mais diversas sobre todos os seres que aqui TAMBÉM vivem...dos minúculos seres unicelulares, aos vegetais e animais. Não importa! E importa muito...porque é enorme a nossa responsabilidade.

O que de desanimador vejo em todo esse cenário de discussões ambientais que vivemos hoje, é que mal somos capazes de estabelecer relações saudáveis e de cuidado entre nós mesmos da mesma espécie e, talvez, seja pedir demais à humanidade que estenda seu olhar de respeito a todos os outros seres viventes, incluindo nosso planeta.

A conscientização de cada um, um por um, sobre a importância da vida saudável para todos, do direito de todos a uma vida digna, do respeito à todas as formas de vida, é meu sonho...é minha utopia!

E aqui vão alguns anúncios interessantes que recebi.
Pense você também.
Busque no seu íntimo as respostas em defesa da vida e aja.
Eu agradeço...muitos agradecem!
Quem sabe um dia todos agradeçam.



Essa campanha foi feita para a World Wildlife Fund.
À medida que o papel acaba, o verde da América do Sul também vai embora,
simbolizando o impacto ambiental que o uso de simples toalhas de papel é capaz de provocar,
além de alertar para outros desperdícios que podem levar às mesmas consequências.



Esse anúncio utiliza o movimento da sombra no cartaz
para demonstrar como o aquecimento global levará ao aumento do nível dos oceanos.



"Veja quanto monóxido de carbono você deixará de emitir se não dirigir por um dia".
Essa é a mensagem que aparece na gigantesca nuvem preta presa ao cano de escape de um carro
depois de passar o dia sendo inflada pela fumaça expelida pelo automóvel.



Nesse anúncio, as árvores foram posicionadas para parecer pulmões.
A área desmatada é um alerta, e a frase no canto diz: "Antes que seja tarde demais".



 Diesel, a fabricante italiana de roupas, colocou, no fim de janeiro,
propagandas em jornais, revistas e outdoors
que traziam modelos posando com roupas da marca em um mundo afetado pelo aquecimento global.
Nas fotos acima, você vê o Cristo Redentor coberto de água até os pés
e Nova York praticamente submersa.
Imagino suas fábricas debaixo dágua.



SAFE é uma instituição de proteção aos animais
que faz várias campanhas para expor e questionar
a utilização desnecessária deles em experimentos e explorações comerciais.
O anúncio acima tem como alvo o uso dos bichos
como cachecóis, botas e outros produtos de couro e assim por diante.



"Use a eletricidade com sabedoria".
Esse anúncio é da companhia de energia Eskom, da África do Sul.



 Uma associação de proteção ao meio ambiente e sua agência de publicidade
tiveram a idéia de colocar outdoors logo acima de buracos de esgotos
para dar a idéia de que água suja é como cocô.
Eles queriam despertar o cuidado das pessoas para com o ambiente
por meio de fortes impactos visuais e até aversão física.



 "A moda faz mais vítimas do que você pensa".
Da Agência O&M, da Índia

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

HOPENHAGEN - DECIDINDO O FUTURO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Ingenuamente, eu acreditei que esta reunião ofereceria resultados mais concretos e favoráveis ao meio ambiente. Claro que sem saltos, porém acreditei que seria mais positivo.

Mas, como a reunião é de políticos, já deveria ter imaginado...cada qual defendendo o seu de olho nos seus mandatos e perderam de vista o que é melhor para nosso planeta (nossa casa de todos), para a vida, para todos os seres viventes, para nós humanos e para a vida de cada um. O problema é que sempre se desenvolve esse olhar de modo inverso: os interesses individuais continuam se sobrepondo aos interesses de todos.
Muito triste!
Irene
10/12/2009

Olá pessoal,

Recebi email da Divisão de Comunicação Interativa - Interactive Communications da Ketchum Estratégia - Brasil (Agência de Relações Públicas) solicitando que divulgasse informações importantes sobre o Hopenhagen e como nós internautas, inclusive os que não poderão participar pessoalmente, podemos contribuir. E é claro que fazemos a divulgação com o prazer de contribuir, minimamente que seja, mas é o que está a meu alcance.

Eis as informações:

Para quem ainda não sabe, o Hopenhagen será uma oportunidade para importantes decisões acerca do futuro das mudanças climáticas no mundo e acontecerá de 07 a 18 de dezembro em Copenhague.

O Hopenhagen vai dar aos internautas a chance de se tornarem participantes ativos do diálogo sobre mudanças climáticas e de se fazerem ouvir pelos líderes mundiais e delegados da conferência presentes. Estamos fazendo uma coleta de assinaturas para a petição para “Mudança Climática” em apoio à ONU, que reivindica um tratado sobre o clima que seja “ambicioso, justo e efetivo na redução de emissões”.

Hopenhagen é um movimento. Um momento e uma chance de um novo começo. A esperança de que, neste dezembro, em Copenhague - durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas - nós podemos construir um futuro melhor para o nosso planeta e uma forma mais sustentável de vida. É a esperança de que possamos criar uma comunidade global que levará nossos governantes a tomar as decisões certas. A promessa de que, resolvendo nossa crise ambiental, podemos resolver nossas crises econômicas, ao mesmo tempo.

A campanha Hopenhagen desenvolvida pela ONG Associação Internacional de Propaganda com apoio da ONU (www.hopenhagen.org) busca adesões para um abaixo assinado sobre o clima que será entregue pelo secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon, no encontro COP15 em Copenhague, a ser realizado em dezembro deste ano, cujo objetivo é criar um documento atualizado que substituirá o protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

A assinatura do abaixo assinado é super simples e leva apenas alguns minutos. É só clicar no link SIGN THE PETITION. Passem para os amigos, familiares e afins. É super importante a nossa opinião e participação em Copenhague!

Para ajudar é simples!
1 - Ajudando a divulgar o site http://www.hopenhagen.org/.
2- Assinando a petição no site
3- Incluindo um selo do Hopenhagen em seu blog. http://www.hopenhagen.org/badges
4- Se possui conta no facebook, se tornando fã da página e fazendo o seu passaporte.

Vamos fazer todos, cada qual a sua parte!




segunda-feira, 8 de junho de 2009

II FESTIVAL MUNDIAL DA PAZ E XI CONGRESSO HOLÍSTICO INTERNACIONAL

Os dois eventos acontecem simultaneamente:
Data: 4 a 7 de setembro de 2009
Local: Centro de Convenções de Goiânia/GO - Brasil
Informações:
Tel: (55) (62) 3941.5556
Site do Festival e do Congresso:
Festival Mundial da Paz



II Festival Mundial da Paz

Realiza-se em Goiânia nos dias 04 a 07 de setembro o II Festival Mundial da Paz no Centro de Convenções. São 4 dias com uma vasta programação de atividades voltadas para qualquer pessoa..

Temáticas:
Meio ambiente
Resgate ao corpo
Resgate do corpo
Artesanato
Atividades holísticas
Artes expressivas
Auto conhecimento
Constelação familiar

Como participar

Faça a sua inscrição gratuitamente no site Festival. Basta você se cadastrar no balcão de atendimento e agendar o seu horário em uma das terapias e atividades.

Horário de Funcionamento

Os atendimentos terapeuticos começam a partir das 8:30h e se estende até as 20hs, durante os dias 05,06 e 07 do Festival.




XI Congresso Holístico Internacional

Tema: Celebrando uma Nova Consciência - Cultura de Paz e Sustentabilidade Planetária
Dia 05/09: Fórum de Educação
Dia 06/09: Fórum do Meio Ambiente
Dia 07/09: Encontro de Espiritualidade e Paz



PROGRAMAÇÃO:

Dia 05 de setembro de 2009
Fórum de Educação
A ABORDAGEM TRANSDISCIPLINAR HOLÍSTICA: O CAMINHO PARA A EDUCAÇÃO INTEGRAL
Coord. Glória Sobrinho

A visão holística é uma maneira de compreender o mundo, um espaço onde é possível um Intercâmbio entre ciência, filosofia, arte e tradições espirituais e, o que as torna interativas, é a transdisciplinaridade.

Esta visão permite preparar o intelecto para aceitar e cooperar a fim de que a vivência transdisciplinar possa emergir como uma teia tecida com os fios da complexidade , dos diferentes níveis de realidade e da lógica do terceiro incluído , através de seus pilares: rigor , abertura e tolerância , em consonância com os quatro pilares da educação da Unesco (1996): aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser.

A práxis da transdisciplinaridade implica em se ter uma visão holística. Assim, a abordagem transdisciplinar holística, alicerçada em uma visão aberta de mundo com sua complexidade, comporta os contrários, os contraditórios, o inédito, a história do sujeito e o sujeito da história,
bem como os seus diferentes níveis de realidade e a lógica do terceiro incluído, fazendo emergir um sentido humano, ético e sustentável para o bem de toda a Humanidade e do Planeta.

Forum8:30 - Abertura: O Construtor de Pontes - Pierre Weil, o precursor da Abordagem Transdisciplinar Holística no Brasil. - Glória Sobrinho
Forum8:45 - Conferência: A Pedagogia Iniciática - Roberto Crema
Forum9:25 - Conferência: Paz: Resultado de Vontade, Criatividade e Conhecimento - Ubiratan D'Ambrosio
Forum10:05 - Perguntas
Forum10:25 - Intervalo
Forum10:45 - Mesa Redonda: A Educação Integral na Abordagem Transdisciplinar Holística I
ForumPalestra: Educação Libertadora via Economia Solidária - Marcos Arruda
ForumPalestra: QT (quociente transdisciplinar): Uma Aptidão Humana - Arthur Salles.
ForumPalestra: O Propósito da Construção, Produção e Socialização TRANSDISCIPLINAR do Conhecimemto. - Raviv Rozenkviat.
Forum12:00 - Perguntas
Forum12:30 - Intervalo
Forum14:00 - Conferência: As Diferentes Percepções da Transdisciplinaridade - Américo Sommerman.
Forum14:40 - Mesa Redonda: A Educação Integral na Abordagem Transdisciplinar Holística II
ForumPalestra: O Ensino da Ciência do Início da Vida - Eleanor Luzes
ForumPalestra: Educação Nutricional - Aprender para Transformar - Luciana Ayer
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Dia 06 de setembro de 2009

Fórum de Meio Ambiente
SÉCULO XXI: PORTAL PARA A ERA ECOZÓICA E UM NOVO PATAMAR CIVILIZATÓRIO



Dia 07 de setembro de 2009

ENCONTRO DE ESPIRITUALIDADE E PAZ

OBS.: Programação de responsabilidade dos organizadores. Consultar o site sobre modificações/atualizações.

ॐ
Mensagem recebida por e-mail de:
Associação Campus Avançado da Universidade Internacional da Paz - UNIPAZ.CE
Endereço: Rua Dom Serbastião Leme, nº 819 - Bairro de Fátima
Fone: 85.3086.77.98
"Venha ser um aprendiz da Cultura de Paz"

ॐ

sexta-feira, 5 de junho de 2009

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE - LONGE DE SE COMEMORAR

05 Jun 2009
As organizações da sociedade civil abaixo assinadas vêm a público manifestar, durante a semana do meio ambiente, sua extrema preocupação com os rumos da política socioambiental brasileira e afirmar, com pesar, que esta não é uma ocasião para se comemorar.

É sim momento de repúdio à tentativa de desmonte do arcabouço legal e administrativo de proteção ao meio ambiente arduamente construído pela sociedade nas últimas décadas.

Recentes medidas dos poderes Executivo e Legislativo, já aprovadas ou em processo de aprovação, demonstram claramente que a lógica do crescimento econômico a qualquer custo vem solapando o compromisso político de se construir um modelo de desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente adequado e economicamente sustentável.

1. Já em novembro de 2008 o Governo Federal cedeu pela primeira vez à pressão do lobby da insustentabilidade ao modificar o decreto que exigia o cumprimento da legislação florestal (Decreto 6514/08) menos de cinco meses após sua edição.

2. Pouco mais de um mês depois, revogou uma legislação da década de 1990 que protegia as cavernas brasileiras para colocar em seu lugar um decreto que põe em risco a maior parte de nosso patrimônio espeleológico. A justificativa foi que a proteção das cavernas, que são bens públicos, vinha impedindo o desenvolvimento de atividades econômicas como mineração e hidrelétricas.

3. Com a chegada da crise econômica mundial, ao mesmo tempo em que contingenciava grande parte do já decadente orçamento do Ministério do Meio Ambiente (hoje menor do que 1% do orçamento federal), o governo baixava impostos para a produção de veículos automotores. Fazia isso sem qualquer exigência de melhora nos padrões de consumo de combustível ou apoio equivalente ao desenvolvimento do transporte público, indo na contramão da história e contradizendo o anúncio feito meses antes de que nosso País adotaria um plano nacional de redução de emissões de gases de efeito estufa.

4. Em fevereiro deste ano uma das medidas mais graves veio à tona: a MP 458 que, a título de regularizar as posses de pequenos agricultores ocupantes de terras públicas federais na Amazônia, abriu a possibilidade de se legalizar a situação de uma grande quantidade de grileiros, incentivando, assim, o assalto ao patrimônio público, a concentração fundiária e o avanço do desmatamento ilegal. Ontem (03/06) a MP 458 foi aprovada pelo Senado Federal.

5. Enquanto essa medida era discutida - e piorada - na Câmara dos Deputados, uma outra MP (452) trouxe, de contrabando, uma regra que acaba com o licenciamento ambiental para ampliação ou revitalização de rodovias, destruindo um dos principais instrumentos da política ambiental brasileira e feita sob medida para se possibilitar abrir a BR 319 no coração da floresta amazônica, com motivos por motivos político-eleitorais. Essa MP caiu por decurso de prazo, mas a intenção por trás dela é a mesma que guia a crescente politização dos licenciamentos ambientais de grandes obras a cargo do Ibama, cuja diretoria reiteradamente vem desconhecendo os pareceres técnicos que recomendam a não concessão de licenças para determinados empreendimentos.

6. Diante desse clima de desmonte da legislação ambiental, a bancada ruralista do Congresso Nacional, com o apoio explícito do Ministro da Agricultura, se animou a propor a revogação tácita do Código Florestal, pressionando pela diminuição da reserva legal na Amazônia e pela anistia a todas as ocupações ilegais em áreas de preservação permanente. Essa movimentação já gerou o seu primeiro produto: a aprovação do chamado Código Ambiental de Santa Catarina, que diminui a proteção às florestas que preservam os rios e encostas, justamente as que, se estivessem conservadas, poderiam ter evitado parte significativa da catástrofe ocorrida no Vale do Itajaí no final do ano passado.

7. A última medida aprovada nesse sentido foi o Decreto 6848, que, ao estipular um teto para a compensação ambiental de grandes empreendimentos, contraria decisão do Supremo Tribunal Federal, que vincula o pagamento ao grau dos impactos ambientais, e rasga um dos pontos principais da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, assinada pelo País em 1992, e que determina que aquele que causa a degradação deve ser responsável, integralmente, pelos custos sociais dela derivados (princípio do poluidor-pagador). Agora, independentemente do prejuízo imposto à sociedade, o empreendedor não terá que desembolsar mais do que 0,5% do valor da obra, o que desincentiva a adoção de tecnologias mais limpas, porém mais caras.

8. Não fosse pouco, há um ano não são criadas unidades de conservação, e várias propostas de criação, apesar de prontas e justificadas na sua importância ecológica e social, se encontram paralisadas na Casa Civil por supostamente interferirem em futuras obras de infra-estrutura, como é o caso das RESEX Renascer (PA), Montanha-Mangabal (PA), do Baixo Rio Branco-Jauaperi (RR/AM), do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi (PR) e do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Pelotas (SC/RS).

Diante de tudo isso, e de outras propostas em gestação, não podemos ficar calados, e muito menos comemorar.

Esse conjunto de medidas, se não for revertido, jogará por terra os tênues esforços dos últimos anos para tirar o País do caminho da insustentabilidade e da dilapidação dos recursos naturais em prol de um crescimento econômico ilusório e imediatista, que não considera a necessidade de se manter as bases para que ele possa efetivamente gerar bem-estar e se perpetuar no tempo.

Queremos andar para frente, e não para trás. Há um conjunto de iniciativas importantes, que poderiam efetivamente introduzir a variável ambiental em nosso modelo de desenvolvimento, mas que não recebem a devida prioridade política, seja por parte do Executivo ou do Legislativo federal.

Há anos aguarda votação pela Câmara dos Deputados o projeto do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) Verde, que premia financeiramente os estados que possuam unidades de conservação ou terras indígenas. Nessa mesma fila estão dezenas de outros projetos, como o que institui a possibilidade de incentivo fiscal a projetos ambientais, o que cria o marco legal para as fontes de energia alternativa, o que cria um sistema de pagamento por serviços ambientais, dentre tantos que poderiam fazer a diferença, mas que ficam obscurecidos entre uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e outra. E enquanto o BNDES ainda tem em sua carteira preferencial os tradicionais projetos de grande impacto ambiental, os pequenos projetos sustentáveis não têm a mesma facilidade e os bancos públicos não conseguem implementar sequer uma linha de crédito facilitada para recuperação ambiental em imóveis rurais.

Nesse dia 5 de junho, dia do meio ambiente, convocamos todos os cidadãos brasileiros a refletirem sobre as opções que estão sendo tomadas por nossas autoridades nesse momento, e para se manifestarem veementemente contra o retrocesso na política ambiental e a favor de um desenvolvimento justo e responsável.

Brasil, 04 de junho de 2009

Assinam:
Amigos da Terra / Amazônia Brasileira
Associação Movimento Ecológico Carijós – AMECA
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – APREMAVI
Conservação Internacional Brasil
Fundação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional – FASE
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento –
FBOMS
Fórum das ONGs Ambientalistas do Distrito Federal e Entorno
Greenpeace
Grupo Ambiental da Bahia – GAMBA
Grupo Pau Campeche
Grupo de Trabalho Amazônico – GTA
I.E.S/SP
Instituto das Águas da Serra da Bodoquena - IASB/MS
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM
Instituto Socioambiental – ISA
Instituto Terra Azul
Mater Natura
Mira-Serra/RS
Movimento de Olho na Justiça – MOJUS
Rede de ONGs da Mata Atlântica
Sociedade Brasileira de Espeleologia
The Nature Conservancy – TNC
Via Campesina Brasil
WWF Brasil

FONTE: http://www.wwf.org.br/?20040/Nota-pblica-contra-o-desmonte-da-poltica-ambiental-brasileira



PODE-SE COMEMORAR?