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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

CARTA DA TERRA

CARTA DA TERRA (1) 

PREÂMBULO
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.

TERRA, NOSSO LAR
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A SITUAÇÃO GLOBAL
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

DESAFIOS FUTUROS
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.
Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.

PRINCÍPIOS
I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
  1. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
  2. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
  1. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
  2. Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder, vem a maior responsabilidade de promover o bem comum.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
  1. Assegurar que as comunidades em todos os níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
  2. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a obtenção de uma condição de vida significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
4. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações.
  1. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
  2. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo prazo.
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais que sustentam a vida.
  1. Adotar, em todos os níveis, planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
  2. stabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
  3. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados.
  4. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas e ao meio ambiente e impedir a introdução desses organismos prejudiciais.
  5. Administrar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas.
  6. Administrar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o esgotamento e não causem dano ambiental grave.
6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
  1. Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou irreversíveis, mesmo quando o conhecimento científico for incompleto ou não-conclusivo.
  2. Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que as partes interessadas sejam responsabilizadas pelo dano ambiental.
  3. Assegurar que as tomadas de decisão considerem as conseqüências cumulativas, a longo prazo, indiretas, de longo alcance e globais das atividades humanas.
  4. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
  5. Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente.
7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
  1. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
  2. Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis, como a energia solar e do vento.
  3. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais seguras.
  4. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais.
  5. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
  6. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.
8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido.
  1. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
  2. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
  3. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, permaneçam disponíveis ao domínio público.
III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
  1. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, alocando os recursos nacionais e internacionais demandados.
  2. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e segurança coletiva aos que não são capazes de se manter por conta própria.
  3. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e alcançarem suas aspirações.
10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.
  1. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
  2. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas internacionais onerosas.
  3. Assegurar que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
  4. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades.
11. Afirmar a igualdade e a eqüidade dos gêneros como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
  1. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
  2. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
  3. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos os membros da família.
12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, com especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
  1. Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
  2. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas com condições de vida sustentáveis.
  3. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
  4. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.
IV. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ
13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover transparência e responsabilização no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça.
  1. Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
  2. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações interessados na tomada de decisões.
  3. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de reunião pacífica, de associação e de oposição.
  4. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais administrativos e independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
  5. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
  6. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.
14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
  1. Prover a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
  2. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
  3. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais.
  4. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma condição de vida sustentável.
15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
  1. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimento.
  2. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
  3. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.
16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.
  1. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
  2. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para administrar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
  3. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível de uma postura defensiva não-provocativa e converter os recursos militares para propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
  4. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
  5. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção ambiental e a paz.
  6. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.
O CAMINHO ADIANTE
Como nunca antes na História, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa destes princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.

Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável nos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global que gerou a Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria.

A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Entretanto, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.

Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida. 

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(1) A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada, voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação.

O documento é resultado de uma década de diálogo intercultural, em torno de objetivos comuns e valores compartilhados. O projeto começou como uma iniciativa das Nações Unidas, mas se desenvolveu e finalizou como uma iniciativa global da sociedade civil. Em 2000 a Comissão da Carta da Terra, uma entidade internacional independente, concluiu e divulgou o documento como a carta dos povos.

A redação da Carta da Terra envolveu o mais inclusivo e participativo processo associado à criação de uma declaração internacional. Esse processo é a fonte básica de sua legitimidade como um marco de guia ético. A legitimidade do documento foi fortalecida pela adesão de mais de 4.500 organizações, incluindo vários organismos governamentais e organizações internacionais.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE - LONGE DE SE COMEMORAR

05 Jun 2009
As organizações da sociedade civil abaixo assinadas vêm a público manifestar, durante a semana do meio ambiente, sua extrema preocupação com os rumos da política socioambiental brasileira e afirmar, com pesar, que esta não é uma ocasião para se comemorar.

É sim momento de repúdio à tentativa de desmonte do arcabouço legal e administrativo de proteção ao meio ambiente arduamente construído pela sociedade nas últimas décadas.

Recentes medidas dos poderes Executivo e Legislativo, já aprovadas ou em processo de aprovação, demonstram claramente que a lógica do crescimento econômico a qualquer custo vem solapando o compromisso político de se construir um modelo de desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente adequado e economicamente sustentável.

1. Já em novembro de 2008 o Governo Federal cedeu pela primeira vez à pressão do lobby da insustentabilidade ao modificar o decreto que exigia o cumprimento da legislação florestal (Decreto 6514/08) menos de cinco meses após sua edição.

2. Pouco mais de um mês depois, revogou uma legislação da década de 1990 que protegia as cavernas brasileiras para colocar em seu lugar um decreto que põe em risco a maior parte de nosso patrimônio espeleológico. A justificativa foi que a proteção das cavernas, que são bens públicos, vinha impedindo o desenvolvimento de atividades econômicas como mineração e hidrelétricas.

3. Com a chegada da crise econômica mundial, ao mesmo tempo em que contingenciava grande parte do já decadente orçamento do Ministério do Meio Ambiente (hoje menor do que 1% do orçamento federal), o governo baixava impostos para a produção de veículos automotores. Fazia isso sem qualquer exigência de melhora nos padrões de consumo de combustível ou apoio equivalente ao desenvolvimento do transporte público, indo na contramão da história e contradizendo o anúncio feito meses antes de que nosso País adotaria um plano nacional de redução de emissões de gases de efeito estufa.

4. Em fevereiro deste ano uma das medidas mais graves veio à tona: a MP 458 que, a título de regularizar as posses de pequenos agricultores ocupantes de terras públicas federais na Amazônia, abriu a possibilidade de se legalizar a situação de uma grande quantidade de grileiros, incentivando, assim, o assalto ao patrimônio público, a concentração fundiária e o avanço do desmatamento ilegal. Ontem (03/06) a MP 458 foi aprovada pelo Senado Federal.

5. Enquanto essa medida era discutida - e piorada - na Câmara dos Deputados, uma outra MP (452) trouxe, de contrabando, uma regra que acaba com o licenciamento ambiental para ampliação ou revitalização de rodovias, destruindo um dos principais instrumentos da política ambiental brasileira e feita sob medida para se possibilitar abrir a BR 319 no coração da floresta amazônica, com motivos por motivos político-eleitorais. Essa MP caiu por decurso de prazo, mas a intenção por trás dela é a mesma que guia a crescente politização dos licenciamentos ambientais de grandes obras a cargo do Ibama, cuja diretoria reiteradamente vem desconhecendo os pareceres técnicos que recomendam a não concessão de licenças para determinados empreendimentos.

6. Diante desse clima de desmonte da legislação ambiental, a bancada ruralista do Congresso Nacional, com o apoio explícito do Ministro da Agricultura, se animou a propor a revogação tácita do Código Florestal, pressionando pela diminuição da reserva legal na Amazônia e pela anistia a todas as ocupações ilegais em áreas de preservação permanente. Essa movimentação já gerou o seu primeiro produto: a aprovação do chamado Código Ambiental de Santa Catarina, que diminui a proteção às florestas que preservam os rios e encostas, justamente as que, se estivessem conservadas, poderiam ter evitado parte significativa da catástrofe ocorrida no Vale do Itajaí no final do ano passado.

7. A última medida aprovada nesse sentido foi o Decreto 6848, que, ao estipular um teto para a compensação ambiental de grandes empreendimentos, contraria decisão do Supremo Tribunal Federal, que vincula o pagamento ao grau dos impactos ambientais, e rasga um dos pontos principais da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, assinada pelo País em 1992, e que determina que aquele que causa a degradação deve ser responsável, integralmente, pelos custos sociais dela derivados (princípio do poluidor-pagador). Agora, independentemente do prejuízo imposto à sociedade, o empreendedor não terá que desembolsar mais do que 0,5% do valor da obra, o que desincentiva a adoção de tecnologias mais limpas, porém mais caras.

8. Não fosse pouco, há um ano não são criadas unidades de conservação, e várias propostas de criação, apesar de prontas e justificadas na sua importância ecológica e social, se encontram paralisadas na Casa Civil por supostamente interferirem em futuras obras de infra-estrutura, como é o caso das RESEX Renascer (PA), Montanha-Mangabal (PA), do Baixo Rio Branco-Jauaperi (RR/AM), do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi (PR) e do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Pelotas (SC/RS).

Diante de tudo isso, e de outras propostas em gestação, não podemos ficar calados, e muito menos comemorar.

Esse conjunto de medidas, se não for revertido, jogará por terra os tênues esforços dos últimos anos para tirar o País do caminho da insustentabilidade e da dilapidação dos recursos naturais em prol de um crescimento econômico ilusório e imediatista, que não considera a necessidade de se manter as bases para que ele possa efetivamente gerar bem-estar e se perpetuar no tempo.

Queremos andar para frente, e não para trás. Há um conjunto de iniciativas importantes, que poderiam efetivamente introduzir a variável ambiental em nosso modelo de desenvolvimento, mas que não recebem a devida prioridade política, seja por parte do Executivo ou do Legislativo federal.

Há anos aguarda votação pela Câmara dos Deputados o projeto do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) Verde, que premia financeiramente os estados que possuam unidades de conservação ou terras indígenas. Nessa mesma fila estão dezenas de outros projetos, como o que institui a possibilidade de incentivo fiscal a projetos ambientais, o que cria o marco legal para as fontes de energia alternativa, o que cria um sistema de pagamento por serviços ambientais, dentre tantos que poderiam fazer a diferença, mas que ficam obscurecidos entre uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e outra. E enquanto o BNDES ainda tem em sua carteira preferencial os tradicionais projetos de grande impacto ambiental, os pequenos projetos sustentáveis não têm a mesma facilidade e os bancos públicos não conseguem implementar sequer uma linha de crédito facilitada para recuperação ambiental em imóveis rurais.

Nesse dia 5 de junho, dia do meio ambiente, convocamos todos os cidadãos brasileiros a refletirem sobre as opções que estão sendo tomadas por nossas autoridades nesse momento, e para se manifestarem veementemente contra o retrocesso na política ambiental e a favor de um desenvolvimento justo e responsável.

Brasil, 04 de junho de 2009

Assinam:
Amigos da Terra / Amazônia Brasileira
Associação Movimento Ecológico Carijós – AMECA
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – APREMAVI
Conservação Internacional Brasil
Fundação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional – FASE
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento –
FBOMS
Fórum das ONGs Ambientalistas do Distrito Federal e Entorno
Greenpeace
Grupo Ambiental da Bahia – GAMBA
Grupo Pau Campeche
Grupo de Trabalho Amazônico – GTA
I.E.S/SP
Instituto das Águas da Serra da Bodoquena - IASB/MS
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM
Instituto Socioambiental – ISA
Instituto Terra Azul
Mater Natura
Mira-Serra/RS
Movimento de Olho na Justiça – MOJUS
Rede de ONGs da Mata Atlântica
Sociedade Brasileira de Espeleologia
The Nature Conservancy – TNC
Via Campesina Brasil
WWF Brasil

FONTE: http://www.wwf.org.br/?20040/Nota-pblica-contra-o-desmonte-da-poltica-ambiental-brasileira



PODE-SE COMEMORAR?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

RELATÓRIO PLANETA VIVO 2008 - WWF

Reprodução do Sumário para imprensa do Relatório Planeta Vivo 2008 elaborado pela WWF.
É alarmante. É importante. Urgem mudanças rápidas!

RELATÓRIO PLANETA VIVO 2008
Sumário para a imprensa

O relatório Planeta Vivo da Rede WWF tem sido publicado a cada dois anos desde 1998 e visa mostrar como estão os recursos naturais e o impacto exercido por atividades humanas.

O relatório apresenta o Índice Planeta Vivo (IPV), uma série de comparações entre a Pegada Ecológica, feita pela Rede da Pegada Global (Global Footprint Network – GFN), e a biocapacidade disponível em níveis global, nacional e local. Pela primeira vez, o documento mede também a Pegada Ecológica Hídrica.

O Índice Planeta Vivo é compilado pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) e utiliza números relativos a vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos de todo o mundo) como um indicador do situação da natureza.

A biocapacidade é a quantidade de área biologicamente produtiva – zona de cultivo, pasto, floresta e pesca – disponível para atender às necessidades dos seres humanos.

A recente crise financeira mundial constitui um alerta grave para as conseqüências de se viver com padrões de consumo insustentáveis. Mas a atual crise financeira torna-se menor se comparada à ameaça da quebra do crédito ecológico, que ocorre quando a demanda por recursos naturais (Pegada Ecológica) é maior que a biocapacidade do planeta ou de um país.

Não importa se moramos em uma floresta ou em uma grande cidade, os meios que temos para ganhar a vida e até mesmo nossas próprias vidas dependem dos serviços fornecidos pelos sistemas naturais da Terra.

O relatório Planeta Vivo 2008 revela que consumimos de forma excessiva os recursos naturais - que são a base dos serviços ambientais - , e o fazemos mais rapidamente do que eles podem ser repostos. Assim como a gastança imprudente ocasionou a atual crise econômica, o consumo imprudente está exaurindo o capital natural do mundo e coloca em risco nossa prosperidade futura.

Índice Planeta Vivo
O Índice Planeta Vivo Global (IPV) – uma medida derivada de estudos de longo prazo sobre quase 5.000 populações de 1.686 espécies – mostra que o número de vertebrados diminuiu quase 30% ao longo de 35 anos, no período de 1970 a 2005.

Isto é apenas a introdução, mas é suficientemente alarmante. Um olhar mais detalhado na média, que é o índice global, revela em cores mais vivas onde estão ocorrendo as perdas.

O IPV das Áreas Temperadas subiu 6% no período de 1970-2005, enquanto o IPV das Áreas Tropicais sofreu uma redução de 51%.

O IPV das Espécies Terrestres perdeu 33% no geral, o IPV da Água Doce caiu 35% e o IPV Marinho diminuiu em14%.

O IPV das Florestas Tropicais teve uma queda de 62%, o IPV das Terras Secas caiu em 44% e o IPV dos Campos e Pastagens diminuiu 36%. O IPV das Aves foi reduzido em 20% e o dos Mamíferos em 19%.

Essas perdas expressivas da nossa riqueza natural são causadas pelo desmatamento e conversão de florestas em lavouras e pastagens nas áreas tropicais, impacto das barragens e desvios de água, aumento do número de cabeças de gado, poluição, sobrepesca e pesca predatória. Os impactos das mudanças climáticas também estão adquirindo importância, pois as temperaturas mais elevadas dos mares e a redução das chuvas e do fluxo nos cursos d’água afetam muitas espécies.

Pegada da humanidade e capacidade da Terra
Nossa pegada ecológica global excede, hoje, em cerca de 30% a capacidade de regeneração do mundo. Se nossa demanda continuar nesse mesmo ritmo, em meados de 2030 precisaremos de dois planetas para manter nosso estilo de vida. O relatório deste ano registrou, pela primeira vez, o impacto de nosso consumo sobre os recursos hídricos do planeta e nossa vulnerabilidade à escassez de água em muitas regiões.

Essas tendências gerais têm conseqüências bem concretas e nós já as vimos ao longo deste ano nas manchetes dos jornais. Os preços mundiais dos produtos agrícolas tiveram aumentos recordes, em grande parte devido à crescente demanda por alimento, ração animal e biocombustíveis, e, em alguns casos, também pelos estoques minguantes de água doce.

Pela primeira vez na história, a calota de gelo polar no Ártico ficou rodeada de água, ou seja, o gelo está literalmente desaparecendo em uma velocidade surpreendente devido ao impacto da nossa Pegada de carbono, que resulta no aquecimento global.

As emissões de carbono ocasionadas pelo uso de combustíveis fósseis e as mudanças no uso do solo constituam o maior componente da Pegada da humanidade, o que realça a principal ameaça ao nosso planeta: as mudanças climáticas. Pegada Ecológica é a área necessária para produzir os recursos que utilizamos e para absorver as emissões de carbono, expressa em hectares (média)
de terra ou mar produtivo no mundo. A análise geral feita pela GFN da Pegada Ecológica mostra que a área necessária chegou a 2,7 hectares globais por pessoa.

A área disponível hoje, per capita, é de 2,1 ha.

As cinco maiores Pegadas per capita nacionais são dos Emirados Árabes, Estados Unidos, Kuwait, Dinamarca e Austrália. As cinco menores pertencem a Maláui (país no leste da África), Afeganistão, Haiti, Congo e Bangladesh.

A biocapacidade está distribuída de forma desigual. Oito países – Estados Unidos, Brasil, Rússia, China, Índia, Canadá, Argentina e Austrália – possuem mais do que a metade do total da biocapacidade mundial.

Os padrões de crescimento populacional e de consumo fazem com que três desses países sejam devedores ecológicos por terem uma pegada superior a sua biocapacidade nacional, ou seja, a demanda por recursos naturais e os resíduos lançados é maior do que podem oferecer e absorver.

São eles: Estados Unidos (pegada 1,8 vezes maior do que sua biocapacidade nacional), China (2,3 vezes) e Índia ( 2,2 vezes). Em termos regionais, somente os países europeus fora da União Européia e os países da África, da América Latina e Caribe permanecem dentro dos limites de sua biocapacidade.

O desmoronamento do crédito ecológico é um desafio mundial. O relatório Planeta Vivo 2008 nos diz que mais de 75% da população mundial vive em nações que são devedoras ecológicas, pois seu nível de consumo nacional superou a biocapacidade do país. Assim sendo, a maioria dessas nações está sustentando seu atual estilo de vida e crescimento econômico por meio da retirada cada vez maior do capital ecológico de outras partes do mundo.

Os EUA e a China possuem as maiores pegadas nacionais, cada um totalizando cerca de 21% da biocapacidade global. Mas cada um dos cidadãos dos Estados Unidos demanda uma média de 9,4 ha (ou quase 4,5 planetas se a população mundial tivesse os mesmos padrões de consumo deles), enquanto os cidadãos da China usam uma média de 2,1 ha do mundo por pessoa (um planeta).

Isto é um contraste se comparado com o Congo, que tem a sétima mais alta biocapacidade por pessoa, com 13,9 ha do mundo por pessoa, e uma pegada média de apenas 0,5 ha do mundo por pessoa. Mas o Congo enfrenta uma perspectiva de ter sua biocapacidade degradada devido ao desmatamento e ao aumento de demanda de uma população em crescimento e das pressões de exportação.

Demanda, disponibilidade e estresse hídrico
As novas medidas da Pegada Ecológica Hídrica consideram a água sob uma nova perspectiva, a da produção dos bens além da usual ótica do consumo. Esse novo resultado indica a importância da água comercializada sob a forma de commodities.

Por exemplo, uma camiseta de algodão requer 2.900 litros de água para ser produzida, um quilo de cana-de-açúcar requer 1.500 litros e um quilo de carne cerca de 15.500 litros.

Em média, cada pessoa consome 1,24 milhão de litros (aproximadamente metade de uma piscina olímpica) de água por ano, mas isso varia significativamente entre os 2,48 milhões de litros anuais por pessoa nos Estados Unidos e os 619 mil litros anuais por pessoa no Iêmen.

Com relação à Pegada Hídrica por pessoa, cinco dos dez países que têm a maior pegada - Grécia, Itália, Espanha, Portugal e Chipre – estão situados na região do Mediterrâneo, uma área que enfrenta um estresse hídrico cada vez maior.

O impacto da Pegada Hídrica depende inteiramente de onde e quando a água é extraída. O uso da água em uma área em que ela é abundante provavelmente não terá um efeito adverso na sociedade e no meio ambiente. No entanto, em áreas que já experimentam escassez de água, um nível semelhante de uso poderia fazer com que os rios secassem e os ecossistemas fossem destruídos, com a perda da biodiversidade e dos meios de vida associados a eles.

Hoje, cerca de 50 países enfrentam um estresse hídrico em grau moderado ou severo e o número de pessoas que sofrem com a escassez permanente ou sazonal da água deve aumentar em decorrência das mudanças climáticas.

Resposta ao desafio
A boa notícia é que nós temos os meios para reverter essa tendência de redução do crédito ecológico – não é tarde demais para prevenir uma crise ecológica irreversível. Este relatório identifica as áreas-chave onde precisamos alterar nosso estilo de vida e a economia, de forma a corrigir o rumo e assegurar uma trajetória mais sustentável.

Como a escala do desafio impressiona, introduzimos o conceito de “alavanca de sustentabilidade” para atacar o déficit ecológico nos diferentes setores e suas principais causas. Uma análise desse tipo permite isolar os diversos fatores que contribuem para o déficit e propor soluções diferentes para cada um deles.

Para o desafio mais importante de todos – as mudanças climáticas –, o Modelo de Soluções Climáticas da Rede WWF mostra uma gama de “alavancas” eficientes, renováveis e com baixa emissão de carbono que poderiam satisfazer as demandas de energia projetadas para 2050 e reduzir emissões de carbono em 60% a 80%.

O sucesso dessa estratégia exige que os recursos naturais sejam manejados nos termos e na escala da natureza. Isso significa que as decisões setoriais, como no caso da agricultura e da pesca, devem ser tomadas considerando-se as conseqüências ecológicas de forma mais ampla. E também significa que é preciso encontrar formas de manejo que ultrapassem os nossos limites – para além das propriedades e além das fronteiras – para cuidar do ecossistema como um todo.

Não é mais possível ignorar os recursos naturais nos modelos de negócio praticados nas diferentes atividades econômicas. O capital natural é tão importante quanto o financeiro, o humano e o material envolvidos na produção de qualquer bem.

Enquanto o custo de preservá-lo adequadamente não estiver incluído no preço dos produtos, estaremos caminhando rapidamente para exaurir o nosso crédito ecológico.

Passaram-se quase quatro décadas desde que os astronautas da Apollo 8 fotografaram o famoso “Nascer da Terra”, que constituiu a primeira imagem do Planeta Terra. Nas duas gerações que se seguiram, o mundo passou de uma situação de crédito ecológico para déficit ecológico.

A espécie humana possui um histórico notável de engenhosidade e solução de problemas. Agora, o mesmo espírito que levou o homem à lua deve ser empregado para livrar as gerações futuras de um colapso ambiental.

Sobre a Rede WWF
A Rede WWF é uma das maiores e mais respeitadas redes ambientalistas independentes do mundo. Tem quase 5 milhões de associados e atua em mais de 100 países. Sua missão é deter a degradação do meio ambiente natural da Terra e construir um futuro onde os seres humanos possam viver em harmonia com a natureza, conservando a biodiversidade mundial e assegurando o uso sustentável dos recursos naturais, além de promover a redução da poluição e do desperdício do consumo.

Sobre a ZSL
Fundada em 1826, a Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) é uma organização científica, de conservação ambiental e educação, sem fins lucrativos. Seu papel chave é na conservação dos animais e seus habitats. A ZSL administra o Zoológico ZSL de Londres e o Zoológico ZSL de Whipsnade, realiza pesquisa científica no Instituto de Zoologia e tem participação ativa no trabalho ambiental de campo em mais de 40 países em todo o mundo. www.zsl.org

Sobre a GFN
A Global Footprint Network promove a economia sustentável por meio da promoção da Pegada Ecológica, um instrumento que permite mensurar a sustentabilidade. Juntamente com seus parceiros, a GFN coordena a pesquisa, desenvolve padrões metodológicos e fornece, aos tomadores de decisão, uma contabilidade robusta dos recursos, para auxiliar a economia humana a operar dentro dos limites ecológicos do Planeta Terra. www.footprintnetwork.org


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FONTE:
Texto: http://www.wwf.org.br/informacoes/especiais/relatorio_planeta_vivo_2008/index.cfm

Imagens:
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgEneQQq1a_8u4Jz3nuWeVVj-6I4iYk-WHcq2AjJNTuH_XwAXPsNq4gaWRKqMg0r0hlL7A_vsnIhsU_EHev5zES4sFk7ao0Fc7xaYmuv1043nIIUo2C2vkolHsV1Y9hSlwEw2U7vp1cfOw/s1600-h/9.jpg
http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/431/imagens/i57032.jpg
http://static.hsw.com.br/gif/population-six-billion-1.jpg
http://www.postmania.org/wp-content/uploads/2008/01/img_esp_012.gif

A CAMINHO DE ESTILOS DE VIDA SUSTENTÁVEIS

A seguir apresentamos alguns extratos do

JOVENS RUMO ÀS MUDANÇAS - kit de formação para o consumo sustentável – O GUIA
www.youthxchange.net - a caminho de estilos de vida sustentáveis

Um excelente guia publicado em 2002 pelo qual o Instituto Brasil PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e a UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, ambas agências da ONU, tentam mostrar aos jovens que é possível a qualquer pessoa converter as suas aspirações de um mundo melhor em ações de todos os dias.

O guia completo você encontra no endereço:
http://www.brasilpnuma.org.br/pordentro/guia_consumo.pdf

São argumentos importantes com sugestões factíveis de como cada um pode contribuir para o desenvolvimento sustentável de nosso planeta, cuja definição envolve muito mais que a vida humana somente.

Mesmo tendo sido o guia publicado tão recentemente (2002), pesquisas feitas pela WWF em 2008 já nos dão conta de que quase nada fizemos para minorar o problema. Ao contrário, a situação é grave, como vocês podem constatar no Relatório Planeta Vivo 2008.







O que é DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
(segundo a ONU)

“um desenvolvimento que satisfaça as necessidades do presente sem comprometer a
capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades.”

O que é CONSUMO SUSTENTÁVEL

O Consumo Sustentável é um elemento essencial do desenvolvimento sustentável que procura soluções possíveis para desequilíbrios – sociais e ambientais – através de um comportamento mais responsável por parte de todos nós. O Consumo Sustentável está intimamente relacionado à produção e distribuição, utilização e rejeição de produtos e serviços e oferece uma forma de repensar o seu ciclo de vida.

O objetivo é assegurar que as necessidades básicas de toda a comunidade global sejam satisfeitas, reduzindo o excesso de consumo e evitando danos ambientais.

O Consumo Sustentável não trata apenas do custo ambiental da forma como produzimos e consumimos; os custos humanos e sociais também devem ser considerados, de modo a promover um nível de vida mais digno para todos. O papel do consumidor/cidadão global é essencial para forçar os governos, instituições reguladoras, ONGs e empresas a atuarem mais rápida e eficazmente.

A UNESCO e o PNUMA defendem que consumir menos é muitas vezes uma prioridade, mas nem sempre. Consumir de forma diferente e eficaz é o principal desafio. Em muitos casos, o que é necessário é redistribuir por todos a oportunidade de consumo.

Mais de 2 bilhões de pessoas no mundo necessitam de mais recursos, apenas para sobreviver. Pensa-se que a população mundial irá aumentar 50% até ao ano 2050, atingindo um total de 9 bilhões de pessoas. Prevê-se que praticamente todo o crescimento ocorra no mundo em vias de desenvolvimento.

Metade da população mundial tem menos de 20 anos e 90% destes vivem em países em vias de desenvolvimento.

Isto irá provocar uma enorme pressão nos nossos recursos naturais, na biodiversidade e no equilíbrio ecológico do planeta, a que todos nós chamamos casa. É necessário alterar a forma como vemos os nossos recursos e, ainda mais importante, a forma como os utilizamos. Promover o Consumo Sustentável é mais urgente do que nunca. Os jovens são impulsionadores cruciais da economia global e serão dos principais intervenientes e motores da mudança no futuro próximo. Desta forma, a energia, a motivação e a criatividade dos jovens são elementos essenciais para a mudança.

Uma forma de ver esta questão é através do Factor 4 e do Factor 10 que defendem que deveríamos ser capazes de viver duas vezes melhor utilizando metade dos nossos preciosos recursos nas próximas décadas. Temos também de melhorar dez vezes mais a eficiência dos recursos nos países industrializados até 2050. Os padrões de produção e de consumo têm de se tornar mais eficazes (entre 4 a 10 vezes) se quisermos um acesso aos recursos mais equilibrado e duradouro para todos.

Se continuarmos com os nossos padrões atuais de consumo, o futuro não será risonho.
Atualmente, as estimativas mostram que o nosso planeta está a perder, ano após ano, uma área de terra fértil aproximadamente do tamanho da Irlanda, como consequência do excesso de fertilização e da desflorestação - processos que retiram à terra os seus nutrientes vitais tornando-se infértil. Por quanto tempo pode manter-se esta situação?

Quanto mais desrespeitarmos o ambiente, mais nos colocamos em risco, bem como às gerações futuras. A saúde do planeta é a nossa saúde. Todos os dias extinguem-se 50 espécies de plantas. Quantas serão ao fim de uma semana, de um mês, de um ano? Os cientistas acreditam que as plantas escondem segredos que permitirão encontrarcuras para muitas doenças. Por isso, cada espécie perdida não só causa danos irreparáveis para o ecossistema, como representa uma oportunidade perdida para o nosso futuro desenvolvimento.

Os números apresentados pelo Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF, World Wildlife Fund) mostram que um cidadão médio necessita por ano de 2,3 hectares (um hectare é igual ao tamanho de um campo de futebol), para produzir aquilo que consome e para, em seguida, ter onde colocar o excedente. Além disso, a cada ano que passa necessitamos de mais meio hectare do que no ano anterior. Isto representa mais 40% do que é sustentável.

Será que, então, todos temos a mesma responsabilidade? Não, não é bem assim. Um europeu deve duplicar essa responsabilidade; um norte-americano multiplicacá-la por 25. E um cidadão do Bangladesh deve dividi-la por três. Isto também nos mostra a forma como o consumo está gravemente desequilibrado.

20% das pessoas mais ricas do mundo consome cerca de 75 % dos recursos naturais do planeta. Pense nisto: os EUA representam 6% da população mundial mas consomem uns esmagadores 30% dos seus recursos. A riqueza dos 225 indivíduos mais ricos do mundo equivale ao rendimento anual de 47% da população mundial mais desfavorecida, ou seja, 2,5 mil milhões de pessoas.

Muitas pessoas pensam que o planeta não produz o suficiente para alimentar a sua população. Errado. A distribuição desigual dos alimentos é o principal motivo pelo qual existem, actualmente, 800 milhões de pessoas subnutridas no mundo. Num contraste cruel, um relatório britânico publicado no ano 2000 revelou que todos os anos, cerca de 400 milhões de libras esterlinas (aproximadamente 507 milhões de euros) em alimentos que acabam – desperdiçados! – em aterros ou incineradoras. Ainda mais grave, um estudo do governo norte-americano mostrou que mais do que um quarto de todos os alimentos produzidos neste país não chegam a ser consumidos.

Saúde é riqueza, assim o diziam os antigos. Cada vez mais as pessoas optam por estilos de vida saudáveis e estão mais preocupadas com a saúde. Cuidar da saúde deveria igualmente significar cuidar da saúde do planeta. As alterações no estilo de vida das pessoas devem beneficiar o planeta do mesmo modo que a si próprias.

OS ALIMENTOS

Os alimentos são um elemento de ligação entre ambos. Muitas pessoas estão a escolher produtos alimentares mais saudáveis, produzidos através de processos que provocam danos mínimos ao ambiente e que tratam os animais de uma forma mais humana. Além disso, as pessoas procuram alimentos seguros que não contenham surpresas desagradáveis.

Os consumidores começam a apoiar as empresas que evitam o desperdício de alimentos. Exigem mais informações sobre os produtos à venda nas prateleiras dos supermercados – esta lata de tomates é um OGM (Organismos Geneticamente Modificados)? A carne que quero comprar tem hormonas? Todas estas questões são importantes e as pessoas procuram informações para que possam decidir livre e conscientemente.

O que fazer?
Coma e beba o mais saudavelmente possível: mais alimentos frescos, menos aditivos e menos alimentos processados.
* Evite os OGMs (até que o seu impacto seja conhecido) e a carne de produção intensiva.
* Evite os alimentos não sazonais, importados de países distantes.
* Informe o seu supermercado da necessidade de haver rótulos com informações sobre os alimentos que consome.
* Tome suplementos alimentares apenas se realmente sentir necessidade. Escolha os compostos por ingredientes naturais em vez de imitações químicas.
* Informe-se sobre os ‘Es’ - a designação numérica dos aditivos (E000), que dão artificialmente, cor e sabor aos alimentos (evitar os corantes E100 a 180, em particular, o dióxido sulfúrico E220, os anti-oxidantes E320 a 321 e o glutamato monossódio E621. Para mais informações:
www.hacsg.org.uk/myweb/summary

Consumir alimentos da agricultura biológica ou optar por um regime vegetariano são escolhas sobre o modo como se quer viver. Muitas vezes estas escolhas são também benéficas para o ambiente. Uma refeição de frango em vez de carne de bovino tem um impacto ambiental 15 vezes menor. Uma pessoa, cuja dieta não contemple carne, evita a destruição de mais de 4 000 m2 de árvores por ano.

OS PRODUTOS QUÍMICOS

Existem pequenos passos que podemos dar para reduzir a utilização de químicos:
* Informe-se sobre o que contêm, e quais os efeitos provocados, tanto em si como no ambiente, os produtos de limpeza, de higiene e cosméticos. Prefira sempre os biodegradáveis.
* Utilize sempre que possível produtos amigos do ambiente e produzidos “cruelty-free” (não testados em animais), utilize sempre a menor quantidade possível (em geral, um pouco
menos do que é recomendado).
* Pense com cuidado quando tiver de lavar a roupa. Evite a limpeza a seco, porque os líquidos frequentemente utilizados contêm muitas vezes químicos muito poluentes.
* Se tiver de utilizar pesticidas, escolha os mais inofensivos.
* Quando for ao médico, pergunte-lhe sempre qual o medicamento mais suave, mas que combata eficazmente a doença.
* Analise o seu armário dos medicamentos e entregue na farmácia todos aqueles que estão fora do prazo. Leve os medicamentos ainda dentro da validade, mas de que não precisa e entregue-os a instituições de apoio a pessoas necessitadas.

MOBILIDADE

A dependência do carro tornou-nos preguiçosos. Quase 1 em cada 3 viagens com menos de 8 km nas grandes cidades são feitas de carro. Claro que os veículos a motor são também essenciais para a vida moderna. Mas uma utilização mais responsável do veículo pode trazer outras vantagens, tornando as cidades mais limpas, mais saudáveis e mais seguras. As viagens curtas contribuem para agravar os níveis de poluição: uma viagem de carro de 5 km emite 10 vezes mais dióxido de carbono por passageiro do que um autocarro e 25 vezes mais do que um comboio.

Utilizar carros, o que fazer?
Congestionamento, ar poluído, barulho... as nossas cidades estão a tornar-se cada vez mais inabitáveis. O que podemos fazer?
* Ande a pé, de bicicleta ou de patins. As bicicletas são o meio de transporte mais eficiente em termos de energia – 80% da energia do ciclista é transformada em movimento. É rápido e põe-no em forma!
* Partilhe o carro/organize boleias sempre que puder. Partilhar o carro permite que várias pessoas utilizem um carro, organizar boleias disponibiliza um ou mais carros para um grupo de pessoas. Ambas as alternativas reduzem o tráfego, poupam combustível e reduzem os níveis de poluição, a energia gasta por passageiro e os custos da manutenção dos veículos.
* Em alternativa, se apenas necessitar de um carro periodicamente, alugue-o.
* Transporte Público. Os comboios e os autocarros são geralmente as opções mais ecológicas uma vez que transportam mais pessoas, poluem menos e utilizam menos energia por passageiro.
* Compre veículos a motor ‘verdes’ e mantenha-os em bom estado. Antes de comprar verifique: a eficiência, desempenho ao nível de poluição; a capacidade de utilizar gasolina sem chumbo; e a durabilidade do seu carro ou mota.
* Conduza com cuidado. Evite acelerações e travagens bruscas. Uma condução agressiva causa um maior consumo de combustível e mais poluição. Desligue o motor em caso de uma espera fora do tráfego superior a 30 segundos. Não espere demasiado tempo para usar as mudanças.

Turismo, o que fazer?
Há várias coisas que podemos fazer para reduzir o nosso impacto enquanto turistas, como por exemplo...
* Escolha opções de viagem que tenham um maior benefício para a população anfitriã.
Regatear preços mais baixos, quando comprar recordações, pode significar exploração.
* Poupe os preciosos recursos naturais. Não desperdice água nem energia. Evite utilizar poluentes, como detergentes, em riachos e nascentes.
* Deite fora o lixo. Queime ou enterre o papel e separe todo o lixo não degradável.
* Deixe as plantas florescer no seu habitat natural. Em muitas partes do mundo é ilegal apanhar plantas, sementes e raízes.
* Apoie o comércio e o artesanato locais. Compre recordações produzidas localmente sempre que possível.
* Respeite os direitos de propriedade. Em locais tribais, os turistas devem comportar-se como em propriedades privadas.
* Informe-se sobre o país que está a visitar – isso ajudá-lo-á a respeitar a cultura local e abrir-lhe-á portas. Em muitos países são preferíveis roupas soltas e leves a roupas muito justas. Dar beijos em público, é muitas vezes, culturalmente inapropriado.
Assim... tal como recomenda o AMERICAN SIERRA CLUB: tire apenas fotografias; deixe apenas pegadas!

ENERGIA
Durante séculos a humanidade utilizou os recursos da Terra sem se preocupar com o futuro. A utilização global de energia aumentou cerca de 70% durante os últimos 30 anos. Mais ainda, prevê-se que a utilização de energia aumente 2% por ano nos próximos 15 anos.

A natureza demorou milhões de anos a acumular a quantidade de petróleo consumida em todo o mundo num único ano. Estima-se que as reservas de petróleo se possam esgotar em 60 anos. Os nossos recursos tradicionais de energia – carvão e petróleo – são combustíveis fósseis. O seu nome deve-se ao facto de terem sido formados ao longo de milhões de anos, a partir de despojos de animais e plantas mortos e fossilizados.

Infelizmente, as energias eólica, solar, geotérmica, da biomassa e hidroeléctrica ainda não são muito utilizadas. Porquê? As políticas energéticas dos governos favorecem as fontes de energia tradicionais. Há falta de investimento de capital, de fundos para investigação e de campanhas de sensibilização sobre recursos alternativos. No entanto, isto irá mudar no futuro próximo, à medida que estas tecnologias energéticas mais limpas se vão expandindo e se tornam mais eficientes. Depois dos automóveis, a energia é a maior fonte de poluição na Terra.

Poupar energia, o que fazer?
Aqui estão alguns exemplos de como poupar energia em casa:
* Desligue! Um aparelho de TV em standby pode utilizar 1/4 da energia que utiliza quando está ligado.
* Compre lâmpadas fluorescentes compactas, que poupam energia. Desligue as luzes nas divisões vazias.
* Reduza alguns graus no termostato. Se sentir frio, vista mais roupa antes de aumentar a
temperatura do aquecimento central.
* Não utilize mais água quente do que aquela de que necessita – tome duchas.
* Ligue, sempre que possível, os eletrodomésticos às tomadas. As pilhas gastas são altamente poluentes. Se tiver de utilizar pilhas, utilize as pilhas recarregáveis
* Isole portas e janelas, em lugares mais frios.
* Certifique-se de que os eletrodomésticos velhos são substituídos por outros que consomem
menos energia.

ÁGUA
Pode passar-se sem alimentos durante cerca de 1 mês, mas apenas 5 a 7 dias sem água.

97% da água do nosso planeta é água dos oceanos, que não é utilizável pelo Homem.
Menos de 1% da água de todo o mundo está disponível para beber e para outros fins, incluindo a agricultura e a indústria. O seu abastecimento vem dos rios, barragens e fontes subterrâneas.

Se considerarmos o aumento atual da procura, em 2025, dois terços da população mundial podem enfrentar graves faltas de água. Em alguns lugares já deverá ter-se esgotado.

Uma grande parte da população da Terra – 2 mil milhões de pessoas – não tem acesso a água potável. Mais de 4 mil milhões de pessoas em todo o mundo não têm água canalizada em casa. Nalgumas partes de África, mulheres e crianças chegam a transportar 20 litros de água, muitas vezes durante 5 horas, desde a fonte de água mais próxima. Nos países industrializados, uma casa urbana média com 4 a 6 pessoas utiliza 640 litros de água por dia.

Uso racional da água, o que fazer?
Se nos esforçarmos para mudar a forma como usamos a água, podemos fazer diferença.
Quanto menor for a quantidade de água nos rios, mais concentrada se torna a poluição. O
que podemos fazer para poupar água?
* Tome duche, em vez de banho. Em média, um banho gasta o dobro da água.
* Peça modelos que utilizem pouca água quando substituir autoclismos e máquinas de lavar.
* Lave a roupa menos vezes. Em geral, as roupas não estão realmente sujas, apenas precisam ser arejadas ou refrescadas. Isso aumentará também a sua duração.
* Não coloque absorventes, tampões, pensos higiénicos, fraldas e preservativos no aparelho sanitário. Coloque-os no lixo. Principalmente se viver numa área em que o esgoto é despejado no mar sem tratamento. Lembre-se disso na próxima vez que tomar um banho de mar.
* Nunca coloque químicos domésticos (óleo, terebintina e diluente) pelo cano.

A questão da água engarrafada:
Água engarrafada: o custo real.

À luz de um novo estudo independente, o WWF (World Wildlife Fund) está a incentivar as pessoas a consumirem água canalizada, que é muitas vezes tão boa como a engarrafada. Isto seria bom para o ambiente e para as carteiras dos consumidores.

De acordo com o estudo, em muitos países a água engarrafada pode não ser mais saudável nem mais segura do que a água canalizada, mas é vendida a um preço até 1000 vezes mais caro.

No entanto, é a indústria de bebidas engarrafadas que cresce mais rapidamente no mundo e está avaliada em US$ 22 mil milhões anualmente, cerca de 25 mil milhões de euros.

A Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO - UNITED NATIONS FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION) diz que em termos de valor nutricional, a água engarrafada não é melhor do que a água canalizada. Pode conter pequenas quantidades de minerais, mas a água canalizada de muitas municípios também as contem.

O estudo mostra também que todos os anos 1,5 milhões de toneladas de plástico são utilizados para engarrafar água. Podem ser libertados químicos tóxicos no ambiente durante o fabrico e destruição de garrafas. Além disso, um quarto dos 89 mil milhões de litros de água engarrafada em todo o mundo anualmente são consumidos fora do país de origem.

As emissões do gás com efeito de estufa, o dióxido de carbono, provocadas pelo transporte de água engarrafada dentro e entre países, contribui para o problema global da alteração do clima (3 de Maio de 2001).

Para mais informações: WWF (World Wildlife Fund) LIVING WATERS CAMPAIGN, mail:lhadeed@fint.org.

PRODUÇÃO ÉTICA DE BENS E SERVIÇOS
De acordo com as estimativas da ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT),
cerca de 250 milhões de crianças, com idades compreendidas entre os 5 e os 14 anos estão envolvidas em actividades económicas nos países em desenvolvimento.
As estatísticas da OIT indicam que 2 em cada 5 crianças em África (32% do total a nível mundial das crianças envolvidas em actividades económicas), 1 em cada 5 crianças na Ásia (61% do total mundial), 1 em cada 6 na América Latina (7% do total mundial) e 1 em cada 3 na Oceania são sujeitas a trabalho infantil. Só em África, todos os anos este número aumenta em 1 milhão e está a caminho dos 100 milhões no ano 2015.

Produção ética de bens e serviços, o que fazer?
As seguintes sugestões pretendem ajudá-lo a fazer compras numa perspectiva ética:
* Escolha bens fabricados/distribuídos por fabricantes e retalhistas com políticas éticas claras e respectivos códigos de conduta.
* Mantenha-se informado acerca das suas marcas preferidas; contacte o seu grupo de consumidores local para obter mais informações sobre elas. Junte-se a campanhas na internet para melhorar as práticas de emprego.
* Evite produtos e serviços oferecidos por empresas que apoiem regimes opressivos.
* Boicote os produtores que pagam aos seus trabalhadores salários baixos ou utilizam trabalho escravo, ou cujos fornecedores apoiem a escravatura.
* Sempre que possível, escolha produtos/serviços com a etiqueta ‘SEM trabalho infantil’.
* Se possível, escolha produtos/serviços com a etiqueta ‘SEM testes em animais’.
* Boicote produtos/serviços que utilizam expressões enganadoras ou ofensivas.
* Troque informações ou experiências sobre ética e bens com outros consumidores.

INVESTIDOR ÉTICO
O que deve ter em conta o investidor ético para decidir onde investir o seu dinheiro? Aqui estão alguns indicadores:
* O que a empresa faz?
* Qual a posição da empresa relativamente a políticas sociais e questões ambientais? Utiliza energias alternativas?
* Fornece informações sobre o impacto ambiental de toda a sua cadeia de produção?
* Qual a posição da empresa enquanto entidade empregadora (mulheres, minorias, horários flexíveis, conjugação de empregos, etc.)?
* A empresa está envolvida em iniciativas e projectos comunitários locais?

BIODIVERSIDADE
Os seres humanos partilham o planeta com pelo menos 15 milhões de outras espécies. Todas as espécies desempenham um papel na construção e manutenção de ecossistemas complexos que suportam todas as formas de vida. Existem espécies a desaparecer a um ritmo alarmante. A taxa actual de extinção não é clara, mas os cientistas estimam que é entre 1 000 e 10 000 vezes superior à que existiria sem o desenvolvimento industrial descontrolado.

A ameaça de extinção aparece por uma série de razões interligadas. A devastação maciça de plantas e animais e dos seus habitats, a introdução deliberada de espécies estranhas aos ecossistemas, juntamente com as alterações climatéricas, a poluição e a doença, contribuem para ameaçar o equilíbrio ecológico entre as espécies.

É essencial para que a vida continue a existir em nosso planeta, conservar a biodiversidade, utilizar os recursos biológicos de forma sustentável e assegurar que os benefícios provenientes da sua utilização sejam distribuídos de forma justa.

Na União Europeia (UE) e noutros países, os governos estão a fazer grandes esforços para responder às exigências de informação dos consumidores sobre aspectos ambientais ou de saúde relativos aos produtos e serviços.
A utilização dos rótulos é um dos instrumentos mais comuns que os governos possuem para fornecer aos consumidores informação clara e segura do ponto de vista das características ecológicas e éticas de um produto.

Rótulos e Etiquetas ambientais (de entre aquelas que são reconhecidas pelos governos)
1. Anjo Azul (Alemanha)
2. Etiqueta ecológica da U.E.
3. Selo Verde (E.U.A.)
4. Escolha pela Terra (Canadá)
5. Etiqueta Ambiental da China
6. Japão
7. Cisne Branco Nórdico
8. Áustria
9. Tailândia
10. Índia
11. Israel
12. Milijeukeur (Holanda)
13. Ambiente 2000 (Zimbabwe)
14. Coreia do Sul
15. Aenor (Espanha)
16. Etiqueta Verde da Tailândia
17. Etiqueta Verde (Hong Kong)

Mas tenha cuidado! Apenas alguns rótulos são oficialmente reconhecidos pelos governos e respondem a critérios restritos e credíveis.

De entre as mais conhecidos rótulos ecológicos da UE destacam-se o Anjo Azul alemão, o Cisne nórdico e o AB (agricultura biológica) francês.

Nos EUA, o sistema Energy Star é utilizado para informar os consumidores da eficiência energética das TIC. Este sistema é atualmente adoptado pela UE.

Empresas e governos estão sujeitos ao crescente escrutínio do público em geral.

Quanto mais as pessoas pressionarem as empresas a mudarem para métodos mais sustentáveis de produção e de marketing , maior é a probabilidade de estas mudarem.

Se os produtores quiserem manter a confiança dos consumidores têm de demonstrar que estão atentos às suas necessidades e preocupações.

COMPRAR
Não comprar nada é irreal, mas é essencial parar com o excesso de compras.
Antes de comprar, o que fazer?
Você decide como gasta o seu dinheiro. Escolha marcas amigas do ambiente e mais sustentáveis e passe uma mensagem forte aos supermercados e retalhistas. Aqui tem algumas sugestões:
* Pense antes de comprar. Pense naquilo de que necessita, não no que deseja.
* Leia os rótulos: se não contiverem informações claras e suficientes não tenha medo de perguntar.
* Seleccione produtos e serviços com rótulos ambientais e éticos.
* Sempre que possível, compre bens sazonais e produzidos localmente.
* Escolha produtos que contenham percentagens significativas de materiais reciclados ou componentes remanufacturados ou que sejam facilmente detrioráveis e/ou recicláveis.
* Compre diretamente. Se tiver acesso à Internet, compre ‘virtualmente’ sempre que puder e reduza nos transportes e na poluição relacionada com estes. Se for utilizada com inteligência, a Internet pode contribuir para o consumo mais sustentável.


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FONTE :
Texto de Brasil-PNUMA - Programa
http://www.brasilpnuma.org.br/pordentro/guia_consumo.pdf

Imagens:
http://www.brasilpnuma.org.br/pordentro/guia_consumo.pdf
http://assets.wwf.org.br/downloads/living_planet_report_2008.pdf
http://www.achetudoeregiao.com.br/ATR/Culinaria/culinaria.gif/piramide_veg.jpg
http://www.canalkids.com.br/meioambiente/sos/imagens/poluicao.gif
http://www.apartmenttherapy.com/ol-images/sf/uploads/nhcplogo5-3.jpg

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Amazônia para sempre

Manifesto - AMAZÔNIA PARA SEMPRE
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CARTA ABERTA DE ARTISTAS BRASILEIROS SOBRE A DEVASTAÇÃO DA AMAZÔNIA

Acabamos de comemorar o menor desmatamento da Floresta Amazônica dos últimos três anos: 17 mil quilômetros quadrados. É quase a metade da Holanda. Da área total já desmatamos 16%, o equivalente a duas vezes a Alemanha e três Estados de São Paulo. Não há motivo para comemorações. A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta. Essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta.

Depois de tombada na sua pujança, estuprada por madeireiros sem escrúpulos, ateiam fogo às suas vestes de esmeralda abrindo passagem aos forasteiros que a humilham ao semear capim e soja nas cinzas de castanheiras centenárias. Apesar do extraordinário esforço de implantarmos unidades de conservação como alternativas de desenvolvimento sustentável, a devastação continua. Mesmo depois do sangue de Chico Mendes ter selado o pacto de harmonia homem/natureza, entre seringueiros e indígenas, mesmo depois da aliança dos povos da floresta “pelo direito de manter nossas florestas em pé, porque delas dependemos para viver”, mesmo depois de inúmeras sagas cheias de heroísmo, morte e paixão pela Amazônia, a devastação continua.

Como no passado, enxergamos a Floresta como um obstáculo ao progresso, como área a ser vencida e conquistada. Um imenso estoque de terras a se tornarem pastos pouco produtivos, campos de soja e espécies vegetais para combustíveis alternativos ou então uma fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, minerais e energia elétrica. Continuamos um povo irresponsável. O desmatamento e o incêndio são o símbolo da nossa incapacidade de compreender a delicadeza e a instabilidade do ecossistema amazônico e como tratá-lo.

Um país que tem 165.000 km2 de área desflorestada, abandonada ou semi-abandonada, pode dobrar a sua produção de grãos sem a necessidade de derrubar uma única árvore. É urgente que nos tornemos responsáveis pelo gerenciamento do que resta dos nossos valiosos recursos naturais.

Portanto, a nosso ver, como único procedimento cabível para desacelerar os efeitos quase irreversíveis da devastação, segundo o que determina o § 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, onde se lê:

"A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais"

Assim, deve-se implementar em níveis Federal, Estadual e Municipal A INTERRUPÇÃO IMEDIATA DO DESMATAMENTO DA FLORESTA AMAZÔNICA. JÁ!

É hora de enxergarmos nossas árvores como monumentos de nossa cultura e história.

SOMOS UM POVO DA FLORESTA!

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